Demonophobia [Review]

Tentáculos e garotinhas, já sabemos no que isso vai dar…

Nem todos os jogos foram feitos para serem jogados. Alguns por serem muito ruins, outros por simplesmente não se adequarem bem a esse tipo de formato. Demonophobia se enquadra em ambos esses casos: enquanto poderia servir muito bem a seu público alvo em outro tipo de mídia, como jogo, a experiência que Demonophobia proporciona simplesmente não é satisfatória. Interessantemente, este é um dos poucos títulos em que morrer é, de fato, muito mais recompensador do que viver — isso se porngore for a sua praia, é claro.

Não é difícil prever o que acontece em seguida…

O jogo conta a historia de Sakuri, uma colegial comum que, após performar um ritual satânico para vingar sua família, acorda no inferno. A partir daí, você toma controle dela — seu objetivo? Escapar do inferno com vida. O jogo é um 2D side-scroller meio labiríntico com alguns poucos elementos de puzzle e até combate. Sakuri é, entretanto, bastante vulnerável — você vai passar grande parte do jogo correndo e desviando de inimigos, já que, na maior parte do tempo, não há nada que ela possa fazer contra eles. A principal atração do jogo não é a gameplay, entretanto: se Demonophobia tivesse outro nome, seria “Mil e uma formas cruéis de se matar uma colegial japonesa bonitinha”. O título é bem conhecido por suas polêmicas sequências animadas, perturbadoramente sádicas, longas e detalhadas; Sakuri pode morrer de dezenas de diferentes maneiras, e mais do que escapar do inferno, é possível dizer que o verdadeiro objetivo do jogo é assistir a todas elas. O que o jogo quer é, de fato, chocar — e isso ele consegue com bastante eficácia.

Pyramid Head, Lucifer, Butcher, Pride… e a quantidade de formas que esse respeitável senhor pode matar a pobre Sakuri ainda supera a quantidade de nomes.

A atmosfera que o jogo estabelece logo de início é uma das poucas coisas que ele faz surpreendentemente bem. O objetivo principal — escapar do inferno com vida — soa quase ridículo por si só. Considerando-se a protagonista uma coitadinha assustada, em mui tenra idade e sem quaisquer meios de defesa, de ridículo, ele passa a rizível. O jogador já sabe que Sakuri não tem mais salvação do momento em que toma controle dela. Mas, mesmo que por mórbida curiosidade, continua jogando, se não apenas para saber que destino aguarda essa pobre alma; de fato, uma forma de apresentação inovadora e única. Entretanto, os problemas não tardam a aparecer — Demonophobia é, diga-se de passagem, bastante monótono. A mecânica é simples e repetitiva, e os controles não colaboram. Sakuri tem a estamina de uma senhora asmática de 150 anos, e se não está correndo, é tão veloz quanto uma lesma paraplégica. Com uma única exceção, os puzzles são tudo menos elaborados — pegue o cristal e insira no buraco, abra a porta com a chave. Os mapas podem parecer confusos a princípio, mas são, na verdade, bastante simples e sem muitos desvios a serem explorados. Essa dinâmica permanece a mesma até a última fase — pegue chaves, abra portas, colecione poções, evite armadilhas, desvie de inimigos — e não demora a perder a graça.

Um aliado…?

A verdade é que, passados os cinco primeiro minutos, Demonophobia deixa de ser um jogo prazeroso. Entretanto, como já dito, o título não aposta na gameplay. Para um jogo de seu tamanho, Demonophobia possui uma diversidade bastante considerável de mortes para nossa pequena Sakuri; todas, digamos, um tanto quanto… criativas. E se a gameplay torna-se cansativa cedo demais, ver a amedrontada protagonista sofrer nunca fica entediante de fato. Entretanto, o desenvolvedor não faz bom uso dessa qualidade e não a aproveita em todo seu potencial. O jogo usa uma dinâmica de tentativa e erro: para um jogador de primeira viagem, é impossível detectar grande parte das armadilhas, e com exceção de uma, todas causam morte instantânea. Isso acaba tornando-se meio frustrante depois de um tempo, pois como os saves são feitos por meio de checkpoints, o jogador se vê forçado a repetir certas sequências de ação sempre que morrer — uma “penalidade”, de certa forma, incoerentemente aplicada já que não há outros motivos para jogar Demonophobia que não colecionar mortes. Além disso, o jogo não é, de forma alguma, fácil — na verdade, as duas batalhas finais beiram o impossível. O HP de Sakuri não tampa cárie de dente, e as batalhas de chefes de final de fase requerem reflexos rápidos que os controles desengonçados, por falta de melhor palavra, não podem proporcionar; acessar o menu de itens não pausa o jogo, a propósito, e as raras armas todas possuem cooldown. Embora essas batalhas tenham lá suas sequências de mortes especiais, vê-las repetidas vezes acaba, inevitavelmente, caindo no entediante; o que o jogo faz de melhor, ele desconstrói com esse sistema — falacioso, diga-se de passagem — de combate.

Onee-chan… ♥

Historia e personagens não compensam o que o jogo faz de errado, mas também não prejudicam-no. Antes da batalha final, um artifício interessantíssimo usado pela historia sobre a mecânica do jogo é revelado; esse é, entretanto, o único momento em que ela de fato brilha. Sakuri, a protagonista, é bastante unidimensional — o repertório dela raramente vai além dos “Hiii”s e “Aaah”s –, mas como culpá-la por isso? Afinal, ela é uma colegial indefesa perdida no meio do inferno — é até possível dizer que ela possui coragem recomendável, dadas as circunstâncias. Mas isso não é o bastante para deixá-la interessante, infelizmente; digna de pena, no máximo. Os visuais, por outro lado, fazem uma diferença significante — o esperado de um jogo cujo principal objetivo é chocar. Sakuri é muito bonitinha, se não loli demais para conforto. Sua imagem constrasta bem com o mundo deformado e perturbador a sua volta; os inimigos são repugnantes e grotescos, e o gore, suficientemente revoltante. Os backgrounds, entretanto, não impressionam. Além disso, o jogo não possui som algum — que diferença sons não fariam, especialmente durante as sequências gore? Outro resquício da falta de vontade do programador é o recurso de pausa, acionada com a tecla “P” — mesmo com a janela diminuída, apertar “P” novamente despausa o jogo, e daí, quaisquer teclas apertadas afetam-no também. Uma falta leve, mas importuna mesmo assim.

Essa é uma excelente pergunta, senhorita.

Demonophobia é um jogo difícil, repetitivo e cansativo. Não fosse o gore e eventual gorerape, não haveria porque jogar. Imageboards fazem o trabalho desse título de forma muito mais eficiente. Entretanto, o jogo definitivamente consegue prender a atenção do jogador, seja ele simpatizante de porngore ou simplesmente curioso. Se Demonophobia despertar sua curiosidade, não sinta-se culpado — afinal, é difícil não sentir atração pelo grotesco, pelo perturbador. Desde que jogado pela satisfação dessa curiosidade, Demonophobia é, sejamos francos, bem satisfatório — afinal, é um jogo de fato criativo e chocante. De qualquer outra forma, esse jogo não tem condições de proporcionar uma experiência realmente prazerosa. Se a premissa não conseguir apelar nem à sua curiosidade… bem, fuja desse título.

Apresentação: 2/5

Gameplay: 1/5

Historia e Personagens: 2/5

Gráficos: 3/5

Som: 0/5

Nota: 3/10

Para jogar, faça o download do jogo no seguinte website:

http://www.mediafire.com/?2dqlwnv22mc
Jogo recomendável para idades acima de 21 anos.

Por Rika